Por dentro do EGEG recebe peça teatral sobre vissungos

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Por Camila Zola - 18/05/2017

No mês de maio, o Colégio Eduardo Gomes recebeu um grupo de atores aprendizes do Centro Livre de Artes Cênicas de São Bernardo do Campo, para apresentar a peça “Episódio II: Do Entre Pedras e Piercings”, junto com seu coordenador, Luciano Mendes de Jesus.

A obra é uma continuação do projeto “Garimpar em Minas Negras Cantos de Diamante”, uma pesquisa feita pelo professor, músico e ator Luciano, sobre os vissungos, cantos antigos, de tradição, de língua africana.

Os primeiros registros desses cantos foram encontrados por Aires da Mata Machado Filho, em Diamantina, Minas Gerais, na década de 20. O pesquisador estava passando férias num povoado chamado “São João da Chapada”, existente até hoje, quando os conheceu. Aquelas palavras chamaram sua atenção, então decidiu registrar os cantos, os quais foram publicados em 1943.

 Passaram-se cerca de sessenta anos sem que tivesse um aprofundamento maior dessa pesquisa, quando, nos anos 2000, uma pesquisadora chamada Ana Lucia Valério do Nascimento voltou a campo para saber quantos desses cantos ainda existiam. Ela descobriu muito mais vissungos do que haviam sido registrados.

A primeira parte do projeto foi explorar esse tesouro da cultura brasileira, descobrir quantos ainda existem, quais as formas de criação desses cantos.

Na segunda fase do projeto, o professor Luciano descobriu um dos últimos mestres vissungueiros, Ivo Silvério da Rocha, residente em São Bernardo do Campo, nos anos 70. O propósito dessa fase é realizar o encontro entre as memórias de Ivo e os jovens do século 21, ou seja, quais respostas os vissungos trazem para esses estudantes de teatro e como os jovens lidam com essa tradição.

  O ator deu início ao projeto através de uma bolsa para artistas e produtores negros, além de ter o apoio do PROAC – Programa de Ação Cultural – para formação e aperfeiçoamento técnico. Contando também com a ajuda de atores argentinos e franceses, que trabalharam com os atores durante duas semanas, e a partir dessas visitas, começou o projeto de criação, em janeiro de 2017.

  Confira a entrevista feita pelo EG em foco com o Professor Luciano Mendes de Jesus:

EG: Qual a influência da arte nesse projeto?

Luciano: Esse projeto parte da arte, da cena, do teatro, das linguagens da cena. Na minha concepção, cantar e atuar é uma coisa só, não existe um canto e um corpo, existe uma coisa só. Esse projeto tem dois sentidos, um artístico, dessa investigação artística da linguagem e, ao mesmo tempo, essa investigação existencial, que é minha junto com eles, e eles também por serem jovens artistas aprendizes, existe um aspecto pedagógico, de aprendizagem do ofício do artista cênico.

EG: Como isso também influencia os alunos?

L: Apresentar aqui na escola era algo que eu não esperava, foi uma surpresa ter esse encontro, fazer essa primeira abertura desse projeto, desse processo criativo com outros aprendizes, jovens também, alunos aqui da escola, que puderam ver esse trabalho, ter o encontro com outros jovens aprendizes assim como eles, com níveis diferentes de aprendizagem, com histórias diferentes, até socioeconômicas, então esse encontro entre essas duas realidades, para mim, foi muito estimulante.

EG: Qual você acredita que seja o papel da arte na sociedade?

L: Acho que o papel da arte na sociedade, na vida, na história do homem é dar condições de o homem criar espaços de percepção diferente de si próprio, do ser humano. Entender que existem várias maneiras de se relacionar com a vida, várias maneiras diferentes de se pensar, de você tocar o mundo, eu acho que a arte tem essa função de abrir esses espaços na mente, no pensamento, no modo de sentir, no modo de estar no mundo, no modo de ver. Acho que é isso, abrir o grande universo interior que tem em todo ser humano. Ela cria essa ponte sensível entre o universo interior e a realidade externa.

EG: Você já conseguiu enxergar os resultados desse projeto?

L: Eu acho que, com essa experiência de abertura, eu consigo sentir que estamos no caminho certo, eu sei que tem um longo processo ainda, mas sinto que estamos no caminho certo, de pesquisa, de criação, longe das condições ideais, se tivesse muito mais tempo para se dedicar, ia ser diferente, mas dentro da realidade que a gente tem, dos dois encontros semanais que a gente tem para criar, eu acho que o trabalho está num bom caminho, não posso falar que alcançamos, mas estamos no caminho certo.


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